sábado, 12 de dezembro de 2009

Doação de jornal ajuda na sustentabilidade de projeto de coleta seletiva



Diz-se, no jargão jornalístico, que “as matérias de hoje embrulham o peixe amanhã”. O que você fez com seu jornal de ontem? O que vai fazer quando acabar de ler o jornal de hoje? Pensando nisso é que a Organização Não-Governamental Paciência Viva lançou uma campanha para o descarte consciente do papel-jornal (e também papel-revista). Com o slogan: “Doe seu jornal. Não custa nada, mas vale muito”, uma iniciativa inédita na Bahia, a ONG leva a discussão para dentro das redações dos veículos de comunicação, sobretudo mídia impressa. A campanha integra o Projeto Ação Reciclar e movimenta agora os centros de informação da capital baiana, ressaltando o papel esclarecedor e formador de opinião do jornalista.

“Doe seu jornal” apresenta uma solução para o descarte impróprio do papel-jornal e papel-revista e, consequentemente, agrega valor ao resíduo, viabilizando a pesquisa e produção dos chamados biopotes para o plantio de árvores. Esses utensílios não agridem a natureza, como os plásticos comumente utilizados para o cultivo das sementes. Somente na capital baiana, cerca de 16 mil toneladas de papel-jornal são descartadas mensalmente de maneira imprópria, agredindo o meio ambiente, deixando de gerar renda, reforçando assim as estatísticas da desigualdade social.

A meta é coletar 80 toneladas de papel jornal por mês. A medida visa assegurar não somente a diminuição do impacto ambiental, mas também, a (re)inserção econômica e social dos catadores com a formação de uma Cooperativa de Catadores de Produtos Recicláveis e alcançar a sustentabilidade do Projeto Ação Reciclar.

Além da participação especial do ator Wagner Moura, a campanha conta com a parceria de grandes veículos de comunicação como Grupo A Tarde; Rede Social Bahia; Irdeb; Band Bahia e Band News; Tribuna da Bahia; TV Aratu; Grupo Bahia; Central de Outdoor, e ainda o Instituto Ecodesenvolvimento. Para tanto, estão em funcionamento os postos de coleta em alguns dos grandes centros de convergência na cidade para doação de jornais a exemplo dos Shoppings Piedade e Salvador.

Através de um convênio com o Governo da Bahia, por intermédio da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), o Programa de Educação Ambiental (PEA) da ONG Paciência Viva está presente também nas principais escolas particulares de Salvador, com a realização de diversas atividades lúdicas e pedagógicas. Sartre COC, São Paulo, Anglo Brasileiro, 2 de Julho e Faculdade Ibes/Facsal estão entre as instituições de ensino que já firmaram parceria com a ONG. Esses estabelecimentos, a partir de fevereiro, se tornarão postos de coleta abertos ao público em geral. Jornais e revistas podem ainda ser entregues na sede da Paciência Viva, no Rio Vermelho.

Visite nosso site: http://www.pacienciaviva.org.br/
Participe da campanha!
Colabore doando jornais e revistas.

 
Fonte: release enviado aos meios de comunicação em Salvador

Exercitando a cidadania

Há uma semana um amigo, fazendo uns cálculos com base nos meus nascimento e nome, me disse que sou uma pessoa com muito amor no coração, muito amor pra dividir e por isso minhas atividades estariam sempre ligadas a alguma causa. Na hora até achei graça porque para mim cooperação é algo atávico, que “veio de fábrica”, sabe como é?! Jamais consegui entender as pessoas que não se predispõem a ajudar. É que cada um faz à sua maneira, lógico, mas não fazer sempre me pareceu absurdo. De mais a mais, fui criada com muito amor, muita atenção, seria no mínimo estranho agir de outra forma.

Coisas que Henrique dissera fizeram um sentido que ainda não tinha me dado conta. Olhando o histórico de alguns trabalhos, nos quais me realizei – ainda que não financeiramente, quase sempre – me sinto realmente bem numa atividade que faça diferença na vida de outras pessoas. É bom (com)partilhar, ensinar, colaborar. É bom saber que contribuo para melhorar a vida de alguém, de alguma maneira. Dá uma gostosa sensação de coração aquecido!

domingo, 6 de dezembro de 2009

Mais um lamentável troféu


Já era quase final dos jogos quando resolvi ver as partidas de futebol do campeonato brasileiro. O Palmeiras, único time para o qual eu torceria, depois de seguir bem todo o Brasileirão viu o título escorrer entre os dedos. Fazer o quê? E pior: nenhum time baiano no páreo, sequer um nordestino pra contar história!

Flamengo levou e se tornou hexacampeão, após 17 anos. Na outra ponta do campeonato, o sofrimento dos times rebaixados. Fanáticos aos prantos. Coritiba, o mais atingido, talvez em função do centenário comemorado ano que vem, tinha alguns dos torcedores mais exaltados. Eles deixaram de lado o entretenimento do futebol e apelaram para violência, invadindo o gramado, agredindo jogadores, árbitros e outros funcionários do estádio. A polícia entra em campo. O que se seguiu foi guerra. Gente ferida, helicóptero no meio do estádio, atendimentos de emergência. Lamentáveis cenas que certamente estarão estampadas nos noticiários internacionais. Nenhum veículo irá perder a oportunidade de exibir como os torcedores se comportam no país que sediará uma copa do mundo em alguns anos.

Definitivamente lamentável!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Peles de ébano nas segundas conscientes

Voltava eu do bate papo que encerrava as Segundas Literárias – acho que foi esse o nome que deram – no auditório da Biblioteca dos Barris. Foram eventos que integraram o mês em homenagem à Consciência Negra. Pena que só ouvi sobre as apresentações hoje e perdi as outras segundas. Entretanto, talvez tenha comparecido à melhor delas, nem tanto pelo tema, mas pelos “palestrantes”: prof Doutor Ari Lima, que já conhecia da UNEB, e Lazzo Matumbi, cantor “de voz cheia”, intérprete e compositor. Um cara que sou fã desde os tempos de piveta na Cardeal da Silva. Opa, que gafe. Tinha também o Dão. Anderson, cantor e intérprete que ainda não escutara falar, embora tenha ficado muito impressionada com seu timbre de voz e simplicidade.

Era para falar sobre a música negra, história, mercado, Salvador, Bahia, mas, com todos os envolvidos engajados, ficou difícil não adentrar outras questões cotidianas pelas quais passamos nós, os que têm “pele de ébano”, aqui na soterópolis. Como de costume, infeliz costume, aliás, havia pouca gente. Nem vinte. Sem essa de tentar ver um outro lado: é segunda-feira, meio da tarde. Não sei dos outros dias, talvez um público maior antes do vinte de novembro.

Lazzo convidou os que estavam sentados lá ao fundo, assim como eu, para chegarmos mais perto e transformou o que seria palestra num grande encontro, um papo informal entre amigos. Tivemos, claro, uma canja do “jeito que todos nós gostamos”. Continuo encantada pelas possibilidades que ainda temos, nós. Pelos representantes sérios e compromissados que temos, nós. Pela maneira consciente com a qual nos fazem parte de, nos inserem na luta de todo dia para garantirmos um direito simples: RESPEITO.

Quero mais novembros, já que nos fazemos ver mais esse mês, até que se esgotem as possibilidades. Quero mais Lazzos, Dãos, Aris, e, por que não, Rais nas ruas impondo respeito pela capacidade e, de quebra, mostrando a cor da pele de ébano porque é inegável que é bonita mesmo, né não?!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Palco

Subo nesse palco, minha alma cheira a talco
Como bumbum de bebê, de bebê Minha aura clara, só quem é clarividente pode ver
Pode ver

Trago a minha banda, só quem sabe onde é Luanda
Saberá lhe dar valor, dar valor
Vale quanto pesa prá quem preza o louco bumbum do tambor
Do tambor

Fogo eterno prá afugentar
O inferno prá outro lugar
Fogo eterno prá consumir
O inferno, fora daqui

Venho para a festa, sei que muitos têm na testa
O deus-sol como um sinal, um sinal
Eu como devoto trago um cesto de alegrias de quintal
De quintal
Há também um cântaro, quem manda é Deus a música
Pedindo prá deixar, prá deixar
Derramar o bálsamo, fazer o canto, cantar o cantar
Lá, lá, iá
 
Gilberto Gil